Iniciante no RPG? 3 sugestões de jogos e outras dicas!

Atualizado: 8 de Dez de 2020

O universo do RPG é realmente imenso e essa variedade pode assustar muitos jogadores iniciantes. Quer saber por onde começar? Vem comigo!

Imagem: SirTiefling


Seja muito bem-vinda e bem-vindo! Se você está começando no RPG agora, talvez tenha notado que há inúmeras possibilidade disponíveis por aí! As opções podem variar muito em cenário, nível de dificuldade, acessórios necessários, criação e progressão de personagens, etc. Por isso, é importante é estar aberto(a) a conhecer e disposto(a) a se divertir!


Hoje, escolhi 3 jogos para te mostrar; opções simples, ideais para iniciantes!


Ah, também deixei algumas outras dicas no final! ;)


Vamos nessa?


A Bandeira do Elefante e da Arara

Criador: Christopher Kastensmidt Publicado por: Devir, 2014


ABEA tem meu coração. Foi o primeiro jogo que eu mestrei - e está sempre entre as minhas primeiras indicações de RPG. Quando joguei Bandeira pela primeira vez, já havia jogado várias sessões de Dungeons & Dragons e mais algumas de Chamado de Cthulhu e Mothership; 3 cenários e sistemas bem diferentes, mas que, para mim, têm um aspecto em comum: a distância geográfica e cultural. Todos estes jogos se baseiam primordialmente na cultura europeia (ocidental) ou norte-americana; têm como referências mitos e obras criados nesses lugares e, por isso, pouco conectados com a minha própria cultura.


Assim, ABEA foi um bálsamo na minha alma RPGística. Saber que todo o cenário era baseado na história do lugar onde nasci e cresci, nas lendas que ouvia quando criança... mesmo no século XVI, me senti em casa! Eu não precisava de uma ficha para me dizer quais são os poderes de um Saci - isso eu aprendi na escola! O mesmo vale para o Boto Cor-de-rosa, Yara, Curupira e tantas outras criaturas. É claro que o jogo precisa adequar as características de cada uma delas ao sistema de regras, mas o essencial já era familiar para mim.


Sistema Simples


Não dá para falar de RPG sem falar de regras; nossas ferramentas essenciais para estabelecer critérios e resolver conflitos. Afinal, elas te dizem se algo faz parte (ou não) daquele contexto e como funciona.


Nesse ponto, ABEA apresenta um sistema simples desde a criação de personagens. Considera que qualquer pessoa começa a vida sem saber de nada, mas é capaz de aprender tudo “através de muito estudo, treinamento e esforço”.


Todos os personagens começam com uma certa quantidade de Pontos de Aprendizagem, estabelecida pela sua idade (e considerando diretamente sua experiência de vida). Com estes pontos, você pode comprar níveis em habilidades como Força, Natação, Marcenaria ou Fé. Cada um dos 3 níveis possíveis em uma habilidade (Aprendiz, Praticante ou Mestre) representa um bônus a ser somado nas rolagens de dados. A partir daí, se quiser evoluir sua personagem, os níveis precisam ser dominados em ordem: primeiro Aprendiz, depois Praticante para então, se tornar uma Mestre.


Para cada façanha – quando o(a) jogador(a) usa algumas de suas habilidades no jogo –, rolam-se 3d6 (3 dados de 6 lados), somados ao bônus da habilidade. Tudo no jogo segue esta lógica, até mesmo as magias, milagres e poderes. Para ser bem sucedida, uma rolagem deve igualar ou superar uma dificuldade - Ou seja, um número-alvo que varia entre 12 (uma façanha Fácil) e 21 (uma façanha Lendária). Esta última seria correspondente a nadar numa forte correnteza durante uma tempestade, algo difícil até mesmo para Mestres em Natação.


Chamado de Cthulhu

Criador: Sandy Petersen Publicado por: Chaosium, 1981


Nosso cenário agora é o mundo de Howard Phillips Lovecraft - ou simplesmente H.P. Lovecraft. O escritor estadunidense, nascido no final do século XIX, que criou um universo onde ciência e fantasia encontram o terror.


O chamado horror cósmico – “pelo qual a vida é incompreensível ao ser humano e o universo é infinitamente hostil aos seus interesses” – é transposto para o jogo de forma magistral. Apesar da simplicidade do sistema, as mecânicas refletem todos os maiores horrores relatados nas histórias do autor, cheias de criaturas estranhas e ritos misteriosos, e sempre muito além da capacidade de compreensão humana.


O sistema é o D100, utilizando 2 dados de 10 lados. Aqui, você precisa conseguir nos dados um resultado igual ou menor a uma Característica de sua personagem. Se ela tem, por exemplo, 30 em Dirigir Automóveis, para ser capaz de fazer alguma manobra (em uma situação normal), terá que conseguir 30 ou menos nos dados.


O horror fica a cargo também dos Pontos de Sanidade. Conforme sua personagem vai tendo contato com o oculto, o sobrenatural e a morte, começa a perder Sanidade, o que pode levá-la a ter um ataque de loucura e perder o controle a qualquer momento. Este jogo não é sobre ser um herói; é sobre seres humanos comuns presenciando horrores além de suas capacidades mentais e físicas, lutando para não surtar e/ou morrer.


Outro elemento interessante no jogo é o uso de Pontos de Sorte, que você pode gastar para diminuir (e melhorar) o resultado de um dado. Mas há uma contrapartida: se você precisar fazer um teste de sorte, os pontos que você gastou poderão fazer muita falta! Quanto mais sorte você gastar, menos sorte você terá. Boa sorte! (risos)


Um alerta que quero deixar antes de finalizar esta indicação é que, apesar de ser um bom jogo para começar a jogar, com mecânicas simples e abrangentes, não indico este jogo para quem quer começar a narrar. Talvez seja melhor começar com um cenário mais simples e familiar, pois o(a) Mestre tem que entender muito bem os perigos deste universo para garantir a ambientação necessária.


Dread

Criadores: Epidiah Ravachol e Nathaniel Barmore Publicado por: The Impossible Dream, 2005


Dread entrou na lista para te mostrar que o RPG não é uma caixinha fechada, cheia de Dados, Bônus e Habilidades. Neste jogo, o que ajuda a criar a tensão é uma Torre de Jenga.


Toda vez que realizarem uma ação perigosa com suas personagens, em vez de jogar os dados, os jogadores devem retirar blocos da torre. Quanto mais blocos são tirados, mais tensa fica a história, pois maior é a chance de algum personagem derrubar a Torre e sair de cena.


Neste jogo de terror, o lema é "acredite na torre", pois ela é a base sobre a qual a história se desenvolve.


Jenga é um jogo de habilidade física, portanto não é a aleatoriedade dos dados que dirá a sorte da sua personagem, mas sim sua habilidade de tirar o melhor bloco de madeira. Se você for o(a) azarado(a) responsável por derrubar a Torre, ela é reconstruída para continuar a história das outras personagens - pois a sua já morreu! Contudo, o(a) Mestre (ou Anfitriã(o)) pode te trazer de volta como um fantasma, um lobisomem ou alguma outra criatura que faça sentido para a história.


O jogo apresenta 3 cenários que acompanham 3 formas distintas de jogar. O primeiro é "Under a Full Moon", uma história introdutória na qual todos os objetivos estão claros; é mais fácil para quem está Narrando e apresenta as mecânicas aos jogadores. No segundo cenário, "Under a Metal Sky", os jogadores têm mais controle sobre a história; no terceiro, "Under the Mask", nem mesmo a Anfitriã sabe quem é o monstro.


Dread é ideal para noites de terror. Em vez de ouvir ou assistir algumas histórias assustadoras, por que não simplesmente vivê-las? Como em toda boa história de terror, os perigos só vão se agravando, aqui ainda contando com a ajuda da Torre para garantir a tensão. Portanto, não se engane! Uma alegria pode ser simplesmente uma porta que você conseguiu fechar por alguns minutos (ou segundos). Se você não derruba a Torre, não necessariamente consegue alguma coisa boa, como acontece na maioria dos RPGs. Você simplesmente não morre agora.


Independente das minhas sugestões, não há o jogo certo ou errado para começar. Você pode ser a pessoa que gosta muito de regras e estratégias e queira começar com um jogo mais denso. Se pretende Mestrar/Narrar, pode querer começar pelos mais tradicionais. O importante é sempre querer melhorar a experiência na mesa. Pensando nisso, listei algumas dicas que podem ser úteis em qualquer RPG e para sua vida toda de RPGista daqui pra frente:


Não tome uma experiência ruim como regra geral

O RPG envolve muitas variáveis: narrador(a) ou mestre, jogadores, sistema, cenário, personagens, a história, etc. A diferença entre um jogo bom e um ruim pode ser qualquer um desses fatores. Não julgue as próximas experiências por uma mesa ruim hoje.


Conheça vários jogos

Claro que só se pode jogar um por vez (e, às vezes, nem isso é possível), mas se tiver a oportunidade, experimente jogos diferentes. Assim, você terá mais referências para encontrar seu jeito de jogar preferido, além de ter uma visão mais ampla das possibilidades que o RPG tem.


Acorde com o grupo

Muitas vezes, entramos em um grupo do qual não conhecemos tão bem os participantes. Talvez, algo que parece não ser um problema para você, pode ser um incômodo muito grande para outra pessoa - e vice-versa. Minha sugestão aqui é ter uma conversa franca antes da sessão, apresentando o que poderia causar algum desconforto. Isso dará aos participantes – e a você, como iniciante – certa segurança, sabendo que as necessidades individuais estão sendo levadas em consideração.


Isso geralmente está a cargo do mestre, mas você pode – e deve – sugerir, caso julgue necessário. Comunicação clara é sempre a melhor ferramenta para prevenção e resolução de conflitos.


Faça sua parte

A sua parte é conhecer sua personagem e entender qual o lugar dela naquele cenário; mas, se tiver oportunidade, leia as regras do jogo e assista sessões de outras pessoas jogando. Se nutrir de referências pode te ajudar a estar mais confortável na mesa.


Divirta-se!

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