Experiência: Experimente!

Uma reflexão sobre a importância de se sentir livre para compartilhar experiências na mesa de RPG.


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Uma sessão de RPG pode ser idealizada de diversas maneiras. Seja jogando RPG pela primeira vez, em um grupo diferente do habitual, ou com um novo sistema, sempre haverá tantas expectativas quanto jogadores em uma mesa. Diferentes referências de ambientes, relações interpessoais, jogos, imagens, regras, cooperação, fantasia, aventuras... Tudo o que trazemos para a mesa é composto por nossas memórias. Nós somos compostos por memórias! Nossas memórias, por sua vez, são fruto de tudo o que já experimentamos.


Experiência é o livro que você leu nas férias, mas é também aquela negociação com o professor para ter o trabalho aceito fora do prazo. É a memória daquela conversa com as amigas na mesa de bar antes da pandemia e também a série do Netflix que você maratonou no último fim de semana. É, inclusive, a última sessão de RPG que você jogou, se jogou. Tudo pode ser usado como referência, porque está tudo aí dentro de você. E não importa se você não sabe o que é uma elfa, por exemplo, porque esta elfa tem um jeito de falar, manias, uma história, traumas, alegrias, desejos, uma saudade, uma comida preferida... Sempre haverá algo familiar para você explorar!


Porém, um dos motivos de muitas pessoas se sentirem tão envergonhadas em realizar certas ações em uma mesa de RPG é acharem que serão ridicularizadas por estarem fazendo algo que parece ser diferente, ou exagerado. Afinal de contas, você é quem interpreta este(a) personagem! As referências vêm das suas experiências, as palavras dele(a) saem da sua boca; talvez até você o(a) tenha criado! Se propor a interpretar um(a) personagem é realmente desafiador! Pensar como ele(a) pensaria, o que falaria, como agiria – ou reagiria – nesta ou naquela situação...


Toda essa exposição pode representar uma transparência que não estamos prontos para colocar na mesa. Talvez você pense que certas ações podem ser passíveis de alguma chacota e, neste caso, essa rejeição poderia representar uma rejeição a você mesmo. Ninguém quer se sentir rejeitado(a)! Por medo de sermos julgados(as), então, acabamos por nos privar e privar nossos(as) companheiros(as) da possibilidade de mais momentos divertidos e, assim, de novas experiências enriquecedoras.


É neste ponto que quero refletir com você: sobre o quanto é importante estarmos em um ambiente onde podemos expor nossas experiências com segurança. Ainda que, em determinado momento, alguma ação de sua personagem seja “rejeitada”, um grupo saudável fará com que você se sinta à vontade para tentar de novo. Criar um ambiente onde nossas experiências possam ser melhoradas, onde possamos contribuir com a experiência do outro; um ambiente composto pela soma das experiências de quem está reunido ali com o propósito de se divertir. Sem dúvida, isso está na lista das coisas que vejo de maior valor no RPG.


O RPG é feito de experiências e as experiências são a matéria-prima da criatividade. Delas surgem todas as histórias. Experiências! Experiências que se conectam e se complementam para criarem um mundo compartilhado, enquanto cada um compõe seu próprio mundo particular inacessível. Inúmeras e distintas experiências vividas de forma única, capazes de contribuir de maneira ímpar no desenvolvimento e na diversão do encontro.


Compartilhe experiências! Compartilhe e respeite as experiências! Isso encoraja as pessoas a fazerem o mesmo. Seja em uma mesa de RPG ou em qualquer outra situação. Experiências compartilhadas geram mais experiências que, se observadas com atenção, podem proporcionar aprendizados poderosos.


Experimente! E encontre pessoas para experimentar com você.


Repasse este texto para que mais pessoas se sintam livres para experimentar no RPG e compartilhe conosco o que achou dessa nova forma de trocarmos experiências.

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